Regrinhas para notas de rodapé

Eu estou postando isso aqui porque precisei, achei esse site e achei muito útil! Assim, fica aqui para próximas consultas e para quem mais precisar.

Uso do: idem, ibidem, apud, op. cit., et seq., loc. cit., passim, em nota de rodapé

1 Para fazer referência, subseqüente, de um mesmo autor, usa-se idem.
Ex.:
1 MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de direito civil: direito das sucessões. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 1995, v. 6, p. 15.
2 idem.

2 Para fazer referência, subseqüente, de um mesmo autor, em página diferente, usa-se ibidem.
Ex.:
1 MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de direito civil: direito das sucessões. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 1995, v. 6, p. 15.
2 ibidem, p. 25.

3 Para referenciar um mesmo autor, após terem sido referenciados outros autores, usa-se op. cit.
Ex.:
1 MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de direito civil: direito das sucessões. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 1995, v. 6, p. 15-17.
2 PAPALEO, Celso Cezar. Aborto e contracepção: atualidade e complexidade da questão. Rio de Janeiro: Renovar, 1993, p. 278.
3 CHAVES, Antônio. Direito à vida e ao próprio corpo: intersexualidade, transexualidade, transplantes. 2. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1994, p. 300.
4 MONTEIRO, Washington de Barros, op. cit., p. 36 et seq.
5 PAPALEO, Celso Cezar, op. cit., loc. cit.
6 MOTA, Sílvia. Testemunhas de Jeová e as transfusões de sangue: tradução ético-jurídica. In: GUERRA, Arthur Magno Silva e (Coord.). Biodireito e bioética: uma introdução crítica. Rio de Janeiro: América Jurídica, 2005, passim.

Explicação do item 3***
loc. cit. (locus citatum) = local citado. No exemplo do item 5, significa que a obra do autor Celso Cezar Papaleo foi anteriormente citada (no item 2), na mesma página (p. 278).
et seq. (et sequentia) = e seguintes. No exemplo do item 4, significa que a obra do autor Washington de Barros Monteiro foi anteriormente citada (item 1), desta vez às páginas 36 e seguintes.
passim = aqui e acolá. No exemplo do item 6, significa que a obra de Sílvia Mota foi citada em diferentes partes, aqui e acolá.

4 Para referenciar um autor (a cuja obra o pesquisador NÃO teve acesso) que está indicado num livro ao qual o pesquisador TEVE acesso, usa-se apud.
Ex.:
1 SUTTER, Matilde Josefina apud CHAVES, Antônio. Direito à vida e ao próprio corpo: intersexualidade, transexualidade, transplantes. 2. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1994, p. 136.
2 BUTERA apud MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de direito civil: direito das sucessões. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 1995, v. 6, p. 80.
3 MAXIMILIANO, Carlos apud MONTEIRO, Washington de Barros, ibidem, p. 184.
4 ORGAZ, Alfredo, apud CHAVES, Antônio, op. cit., p. 86.

Explicação do item 4***
a) na referência n. 1 o pesquisador NÃO TEVE ACESSO à obra de Matilde Josefina Sutter, que foi CITADA por Antônio Chaves em seu livro Direito à vida e ao próprio corpo: intersexualidade, transexualidade, transplantes, ao qual o pesquisador TEVE ACESSO;
b) na referência n. 2 o pesquisador NÃO TEVE ACESSO à obra de Butera, que foi citado por Washington de Barros Monteiro em seu Curso de direito civil: direito das sucessões, ao qual o pesquisador TEVE ACESSO;
c) na referência n. 3, o pesquisador NÃO TEVE ACESSO à obra de Carlos Maximiliano, que foi CITADO por Washington de Barros Monteiro na obra JÁ REFERIDA no item anterior, em página diferente;
d) na referência n. 4, o pesquisador NÃO TEVE ACESSO à obra de Alfredo Orgaz, que foi CITADO por Antônio Chaves na obra JÁ REFERIDA, no item 1, em página diferente.

O passado é sempre melhor que o presente?

Dando continuidade a minha vida cultural eu fui ao Shopping Eldorado para passear. Se eu tivesse dinheiro, também teria dado continuidade ao meu lado burguês e consumista. O shopping é bastante bonito e também é novidade para mim. Fui a passeio de namorado e ele me levou ao cinema. Assistimos "Meia-noite em Paris" e foi mais ou menos uma surpresinha porque não sabíamos absolutamente nada sobre ele, só uma indicação de uma amiga minha. Enfim, o filme é surpreendente. Ele conta a história de um escritor, protagonizado por Owen Wilson, que pensa que se vivesse nos anos 20 em Paris seria mais feliz. Ele poderia levar aquela vida boêmia ao lado de grandes intelectuais como Ernest Hemingway, Salvador Dalí, Luis Buñuel, Scott Fitzgerald, etc. Até que, sem querer, ele viaja no tempo e vai parar onde ele tanto queria e acaba conhecendo todas estas figuras e tantas outras. Para sua surpresa, no entanto, ele conhece neste tempo paralelo uma garota belíssima que diz que os anos 20 são chatos, deprimentes e que adoraria ter vivido na Belle Èpoque. Uma noite, caminhando com ela por Paris, os dois viajam para Paris de 1890 e conhecem outros intelectuais da época, que também reclamam do tempo em que vivem e dizem que a verdadeira Golden Age foi a Renascença!

Durante este semestre um dos cursos que eu acompanhei foi História Moderna I. Por mais que tivéssemos percorridos temas diferentes referentes ao período, houve um que nos seguiu o curso inteiro e toda a documentação com a qual trabalhamos. Os homens do Renascimento buscavam a inspiração nos clássicos, o período medieval havia sido um tempo de obscurantismo que deformou os antigos e seus ensinamentos. Nunca houve uma cópia da Idade Antiga, mas este pulo de quase mil anos ao passado lhes dava uma concepção de tempo particular a eles, ao contrário da crença medieval de que o tempo era imutável. Eles se viam como agentes capazes de transformação. Buscava-se nos clássicos ensinamentos que lhes ajudassem a transformar a realidade presente em que viviam em algo melhor. Suas maiores referências são Xenofonte, Cícero, Platão e outros filósofos da Antiguidade.

Na nossa realidade, é comum vermos os desenhos e as brincadeiras das crianças de hoje e pensarmos que a nossa infância foi muito melhor. Por sua vez, nossos pais e avós nos dizem a mesma coisa! Outro erro comum é a ilusão de que "antigamente" não havia violência. Para o senso comum a violência é algo atual, como se nos anos 60 e 70 não houvesse uma violência escondida por quatro paredes; como se nos anos 40 também não houvesse violência dentro dos campos de concentração; como se na passagem do século XIX para o XX o cangaço não resolvia seus conflitos políticos por meio da força; ou então, voltando um pouco mais para trás, as famílias reais do Antigo Regime não se matavam por questão de poder. Definitivamente, matar pai, mãe e irmão não é um fenômeno atual. Poderia-se voltar muito mais atrás quando não existia direitos humanos ou mídia para divulgar a violência como nos faz o Datena; a violência no Coliseu era apreciada e os gladiadores aplaudidos. Ainda na Roma Antiga, quando os maridos chegavam depois de muito tempo em guerra e não reconheciam seus filhos, a criança era deixada dentro de um vaso no telhado da casa até morrer e, se a criança já era maiorzinha e o choro fosse incomodar, ela era deixada no meio da floresta. Por isso que não tem sentido nenhum dizer que antes as pessoas eram mais felizes porque a realidade não era tão violenta como é agora! O mundo sempre foi cruel, mas a violência se apresenta de maneiras diferentes de acordo com o tempo.

O passado, no entanto, para os homens de todas as épocas parece ser melhor. Está no nosso imaginário idealizado de que nossa realidade é ruim e que seríamos mais felizes se voltássemos no tempo ou que éramos mais felizes quando crianças. Talvez porque queremos lembrar só das coisas boas e esquecemos dos aspectos negativos que percorreram estas épocas. Estuda-se e admira-se épocas passadas porque a história é, entre outras coisas, uma fonte de curiosidades, por isso ela parece ser tão interessante. Os homens discutindo política nas Ágoras, os gladiadores lutando contra tigres, os francesas fazendo a revolução... Tudo parece ser muito belo enquanto se limita em imagens e palavras em livros.
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Eu mandei um email comentando sobre a minha ida ao cinema e observações que eu fiz sobre o filme para a minha professora de História Moderna. Achei tão linda a resposta dela que resolvi publicá-la aqui para eu não perdê-la na minha caixa de email!

Fico feliz por compartilhares essas especulações. Realmente, foi sendo
construída, ao longo dos séculos, principalmente após o homem ter
descoberto que costumes e hábitos são produtos históricos, uma certa
nostalgia em relação ao passado. O ontem aparece como modelo positivo
e melhor se comparado com o presente vivido. A questão central está no
fato de o "presente" ser percebido negativamente porque se está a
viver, a sentir na pela a pressão do estar vivo e na tensão das
decisões momentâneas. Se foi na antiguidade o início de tais
especulações, será na Época Moderna que elas terão aprofundamento
filosófico e, por sua vez, antropológicos e sociológicos. Vês como a
Época Moderna é fundamental? Nela se encontram todos os elementos da
argamassa que solidificou o edifício da História Contemporânea.

As facções políticas, a população, a Balaiada e a Revolta dos Cabanos

No meio do semestre, a professora de Brasil Independente nos deu, em uma semana, três questões para a gente estudar. Na semana seguinte ela sortearia uma das três questões que seria a prova. Foi uma semana em que eu estudei demais para fazer as três questões muito bem feitas e tirar mais que sete para não ter que fazer uma segunda prova no fim do semestre. Deu certo, tirei 9 na questão 3, que foi a sorteada. A que transcrevi abaixo foi a questão 2, a mais difícil na minha opinião.

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Durante seu processo de Independência, o Brasil enfrentou muitas revoltas especialmente nas suas províncias do norte. Estas revoltas, muitas vezes, tinham como pano de fundo uma conjuntura socioeconômica carente e uma política bastante confusa. Por causa disso, não é raro encontrar nas revoltas que ocorreram durante este período uma mistura de gente dos mais diversos grupos sociais lutando por ideais que divergiam numa disputa de jogos de interesses tanto por parte dos aliciados, quanto por parte dos aliciadores.

Um grande historiador baiano João José Reis vai mostrar que a realidade em que vivia a população das camadas mais pobres, inclusive os escravos libertos, era bastante caótica. A crise pela qual o atual nordeste passou foi significativo para a baixa qualidade de vida em que viviam essas pessoas. A queda da agro exportação, a espoliação que as províncias sofriam pelo Rio de Janeiro, o crescente nível de desemprego, o descompasso entre o aumento dos preços e do salário, entre outros fatores, como no caso da Bahia, que sofreu com uma forte inflação causada pela falsificação das moedas de cobre, tudo isso contribuía para que as camadas mais pobres sofressem com a fome e com a falta de condições básicas.

Eram estas as pessoas aliciadas pelas elites locais e partidos políticos. Pode se ver nos dois trechos sobre a Revolta dos Cabanos e a Balaiada, respectivamente, que por mais que as críticas de violência e vandalismo sejam dirigidas ás pessoas em geral que fazem parte da revolta, a culpa principal aparece como sendo de facções políticas, os restauradores, no caso dos Cabanos, e os liberais, na Balaiada. Marcus J. M. Carvalho vai dizer que a participação de índios, negros e pardos na história militar do Brasil vem desde o período colonial. Um discurso vazio, de liberdade e promessa de mudança nas condições de vida, em casos mais extremos de liberdade dos escravos, faz essa gente ser o contingente quantitativo das lutas entre as elites locais.

É passível de observação o texto de Domingos José Gonçalves de Magalhães no trecho em que se refere ao líder da revolta da Balaiada: ‘’[...] apresentou-se um certo Raymundo Gomes, homem de cor assaz escura, acompanhado de nove de sua raça [...]’’. João José Reis vai questionar em seu texto até que nível de consciência a elite vai ‘’racializar’’ os movimentos revoltosos populares. Se antes o agente catalisador das revoltas era o antilusitanismo, a necessidade comercial de boas relações com os portugueses, a Independência do Brasil e a abdicação de D. Pedro, vai trazer à consciência das camadas mais pobres que o problema não estava nos portugueses ou na colonização portuguesa, mas numa oposição entre ricos e pobres. Racializar a consciência popular seria garantir a propriedade individual e concentrar a ‘’culpa de todos os males’’ nos negros livres e libertos.

As disputas entre estas elites locais que armavam os pobres e até os escravos para lutarem a favor de seus interesses políticos particulares, trazia o risco de conscientizar esta camada que começaria a lutar pelos seus próprios interesses, pois como diz Marcus J. M. de Carvalho, os homens armados pelas camadas dominantes poderiam aprender a mudar com a experiência. Não é a toa que muitos deles viam no processo de recrutamento uma possibilidade de mudança. Os escravos, por sua vez, encaravam este momento de lutar pelo seu senhor como um meio de obter vantagens. Sem dúvidas, empenhar uma arma em momentos de atrito era uma experiência transformadora, J. M. de Carvalho vai dizer.

A Revolta dos Cabanos é um, entre tantos outros possíveis exemplos, do quanto a experiência nas batalhas é transformadora. Se de início a revolta começou sob a chefia da elite restauradora que defendia o retorno de D. Pedro a fim de recuperar seus privilégios políticos, aos poucos ela vai passar para as mãos do povo que, sob uma liderança (e não uma chefia) vai transformar o movimento, inicialmente de oposição entre facções elitistas, em uma revolta popular. Marcus J. M. de Carvalho descreve a diferença entre chefe e líder, sendo este último, ao contrário do primeiro, aquele que conquista seus seguidores e lhes transmite uma admiração. Na Revolta dos Cabanos, podemos dizer que a liderança de Vicente de Paula foi tamanha que teve sob seu comando os mais diversos segmentos sociais, entre eles escravos fugidos, pobres e índios. A revolta chegou a um ponto que saiu do controle das elites, principalmente quando começou a fazer parte dela os seus escravos fugidos. É importante lembrar que o medo do Haiti ainda reinava e, não era importante só não armar seus cativos, mas também como manter uma estabilidade política para não haver brechas para levantes ou revoltas que contradizessem a ordem.

A Balaiada, por sua vez, não fugirá a regra. Desta vez, a revolta que já começou nas camadas mais populares, sob a liderança do vaqueiro Raymundo Gomes, vai também adquirir grandes proporções em relação à adesão dos diversos grupos sociais e a associação com as disputas dos partidos políticos locais. Porém, o grupo revoltoso se aliará ao partido da ala liberal, os bem-te-vis, que terá como chefe político o líder da revolta, Raymundo Gomes.

Em ambos os casos tivemos indivíduos que através da luta armada se destacaram e viraram líderes; exemplos de como a experiência de empunhar armas é transformadora para os indivíduos que vêem nela a oportunidade de deixarem de serem qualquer um para virarem um líder e/ou um chefe político.

Para concluir, é importante salientar o que João José Reis chama de falta de conteúdo das reivindicações. Quase todos os movimentos tiveram alguma relação com partidos políticos. Em sua grande maioria, as revoltas tinham uma direção política mais liberal e a Revolta dos Cabanos se mostra como uma exceção a regra. No entanto, o que quero dizer é que o lado político que eles defendiam e pelo qual lutavam, de fato, pouco importava. Na Revolta dos Cabanos, eles continuaram defendendo a restauração em favor da política de D. Pedro mesmo após a sua morte. Isto mostra que, na verdade, as revoltas aconteciam muito mais pelas conjunturas sociais, políticas e econômicas problemáticas em que viviam essa população, como nos mostra João José Reis, do que por uma ideologia política. A população era aliciada através de um jogo de interesse, aliava-se a quem mais poderia oferecer. A identidade liberal ou conservadora da revolta faz muito mais parte da retórica de um discurso um tanto quanto vazio das facções elitistas, do que o motivo pelo qual estas camadas mais pobres da população vão, de fato, lutar.

Recapitulando...

Esse semestre foi uma droga. Apesar de eu gostar muito do estágio, ele toma um tempo muito precioso de mim e, pelo fato de eu ter que ir e voltar da USP em horário de pico, eu perco mais tempo ainda no trânsito!

Como consequência, tive que abandonar uma matéria e fazer apenas 3! Três matérias é muito pouco, mas não teve outro jeito. Minhas notas também caíram. E isso me deixa muito triste. Saudades da época do colégio que meu ego ficava lá em cima enquanto eu era uma das melhores alunas. Fechava minhas médias antes mesmo do final do ano letivo e só tirava notas entre 8,5 e 10.

Na faculdade, porém, parece que quanto mais eu estudo, mais eu não saio do lugar. Pelo contrário, parece que estudar é quase em vão, é apenas para não reprovar. Como foi possível eu ter ido tão mal, ter tirado uma nota tão ruim, sendo que eu me esforcei tanto?

Enfim, é difícil, mas eu me esforço para não desanimar. Até para escrever eu estou com muita preguiça. Seria muito legal falar das coisas que aprendi este semestre em História Medieval e até em História Antiga, mas que preguiçaaa... O tempo que estou em casa se tornou sagrado para descansar ou... sempre tirar o atraso das minhas leituras acadêmicas.

Outro momento de epifania foi perceber que nunca mais será possível ter férias de pleno ócio. Ai meu deus, penso como os filósofos gregos que valorizam o ócio como um tempo importante àqueles incumbidos de pensar. Se não pensamos, é porque não temos tempo para isso. Sempre tem algo a fazer!

Mas de qualquer maneira, recentemente aconteceu a feira anual de livros da USP que ocorre sempre no prédio de História e Geografia. Foram 115 editoras com no mínimo 50% de desconto em todos os seus livros. Me deleitei. Gastei mais do que podia, mas estou trabalhando, mereço fazer um agrado a mim mesma. Infelizmente a banca da Cia das Letras tinha uma fila de mais de 1 hora só para poder olhar os livros, então não pude ir à essa banca, mas me deleitei nas outras. rs

Agora, the most problem of all: lê-los.

Ainda não acabei o semestre. Das três disciplinas, faltam duas, mas está no fim. Segunda-feira que vem acaba este semestre que há muito já devia ter acabado.

Pretendo, porém, retomar meus posts. É ruim ficar muito tempo sem escrever, porque depois sinto que quando eu quero escrever, a escrita não sai facilmente. Tem que ser aos trancos e barrancos.

Quem sabe eu não consiga ler os livros que comprei e volto a escrever as resenhas deles aqui....

Que post inútil, raramente escrevo tanta abobrinha... É a falta de prática!

A sentença

Naquela noite, na hora do lobo, o imperador sonhou que havia saído de seu palácio e que, na escuridão, caminhava pelo jardim, debaixo das árvores em flor. Alguma coisa enroscou-se em seus pés e lhe implorou ajuda.

O imperador consentiu; o suplicante disse que era um dragão e que os astros lhe haviam revelado que no dia seguinte, antes do cair da noite, Wei Cheng, ministro do imperador, lhe cortaria a cabeça. No sonho, o imperador jurou protegê-lo.

Ao despertar, o imperador perguntou por Wei Cheng. Disseram-lhe que ele não estava no palácio; o imperador mandou buscá-lo e tratou de mantê-lo ocupado o dia inteiro, para que não matasse o dragão, e ao entardecer propôs que eles dois jogassem xadrez. A partida foi longa, o ministro estava cansado e acabou dormindo.

Um estrondo perturbou toda a terra.

Pouco depois chegaram dois oficiais que traziam uma imensa cabeça de dragão empapada de sangue. Jogaram-na aos pés do imperador e gritaram:

- Caiu do céu!

Wei Cheng, que acabara de despertar, olhou-a perplexo e comentou:

- Que estranho, eu sonhei que estava matando um dragão igualzinho a este.
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Retirado do livro Os melhores contos fantásticos, editora Nova Fronteira, tradução de Flávio Moreira da Costa.